Sábado, Outubro 31, 2009

Uma coisa louca pela pesca

Uma das coisas mais loucas que fiz pela pesca foi, durante um fim de semana em que já tinha gasto todos os chamados “créditos” para ir à pesca, no domingo de manha, não resistindo ao apelo dos robalos, me levantei pelas cinco da manhã muito sorrateiramente e lá fui para a praia lançar as minhas amostras.
Depois de uma Sexta e um Sábado em que fui à pesca de manhã, à tarde e até à noite, na madrugada de Domingo lá fui eu, novamente, à procura deles. A manhã estava fria e custou-me a sair da cama, mas mesmo assim, peguei na roupa que ja tinha deixado preparada de vespera, comi qualquer coisa rápida e, como as coisas ja estavam no carro, foi so arrancar.

Chegado à praia, o mar estava de feição, mas os robalos teimaram em não aparecer ou em querer pegar nas minhas amostras...pelas oito como não tinha tido sequer um toque decidi regressar a casa. Quando cheguei reparei que estava tudo ainda a dormir e aproveitei para tomar um banho e enfiar-me novamente na cama...ainda dormi um bom sono e fui à pesca sem ninguem dar por ela.

Isto ainda era nos tempos em que tinha coragem para me levantar cedo... agora já é bem mais dificil!

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

"Shashimi" anyone?

Aproveitando a pausa de alguns minutos da verdadeira tempestade de trabalhos de índole académica e prazos impostos insolentemente curtos e sem qualquer consideração holística, conceito com o qual tanto nos bombardeiam durante estes quatro anos de curso, pelo todo que é o estudante de enfermagem...sento-me e descontraio nesta singular forma, que é escrever um post no blogue do qual me orgulho de fazer parte juntamente com três grandes amigos.

Se pensam que irei falar de amostras, canas, técnicas, peixes grandes ou pequenos enganem-se, hoje é um post diferente.

Como alguns de vós sabem tenho uma enorme paixão (e gulosice) por cozinha japonesa, em especial por sushi e sashimi.
Gosto bastante de ir ao restaurante(s) na companhia da namorada, família ou de amigos (da pesca ou não) provar o meu quinão de sashimi de maguro (atum), robalo ou salmão.

Há uns meses tentei magicar o meu "sashimi" caseiro (uso aspas, pois não se compara a um verdadeiro sashimi, especialmente no que toca à apresentação).
Considero-me um aspirante de cozinho com muito pouco jeito e habilidade, e sobretudo experiência, no entanto penso que tenho alguma dose de "coragem".
A aventura até nem correu mal, pelo menos "sashimi" caseiro, feito com um robalo apanhado por mim até nem sabia mal, claro que a apresentação...isso é outra história.

Desde então tenho feito a aventura mais vezes, e hoje decidi partilhar convosco algumas fotos de uma dessas aventuras gastronómicas.

Seleccionei um robalo com um tamanho que me pareceu simpático para o efeito, e fiz-lhe dois filetes "à maneira" (sem pele).
Deixo-vos aqui um video que explica bastante bem como filetar um robalo.



Aqui está uma foto de um dos meus filetes (já cortado ao meio), é importante usar uma faca bem afiada,eu tenho usado uma da Rapala, não é das melhores, mas desenrasca:



Depois cortei o filete em pequenas tiras, mais ou menos da grossura de um dedo:


Como podem constatar, o jeitinho não é muito.

Há quem goste apenas do peixe juntamente com o arroz, como servem nos restaurantes (sashimi e sushi), mas eu gosto do sashimi mesmo sem o "rolo" de arroz, apenas a tira de peixe.
Acompanhei com um salteado de legumes "oriental", com rebentos de soja, alga, etc.
Claro que para mim, a tacinha com molho de soja é indespensável, assim como o wasabi (picante) que infelizmente eu não tinha em casa, como tal, foi servido com o salteado de legumes e apenas com a soja.



Não me considero bom cozinheiro, nem aceitável sequer. Este post não é tem o objectivo de ensinar a fazer, pois eu próprio ainda estou na fase mais que inicial nesta área.

Se querem aprender a fazer sashimi ou sushi (com arroz e tudo o resto) à séria, falem com Alexandre Alves, que ele é que é o Sushi-Ya aqui do sítio.

Apesar de muitos poderem discordar, para mim sashimi ou sushi é das melhores mortes que se podem dar a um robalo, e gostos não se discutem!

Até à próxima, e vai ser sushi ou sashimi?

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

A preservação do robalo (1)

É comum ouvirmos cada vez mais dizer entre os pescadores à linha que as capturas são cada vez mais escassas e que antigamente é que era bom. Se é verdade que em alguns momentos do ano parece quase existir uma “explosão” de peixe num determinado ponto da costa, também não deixa de ser uma constante cada vez mais presente o termo “grade” no relato das nossas pescarias. Assim, a questão da preservação das espécies que pescamos e mais concretamente do robalo, aquela que, sem dúvida, é mais procurada pelos pescadores de amostras, é um dos pontos centrais da pesca na actualidade e um dos que mais deveria captar as atenções de todos os pescadores lúdicos, e não só, em Portugal.
A lógica é muito simples: quanto mais preservarmos e defendermos no presente mais teremos para pescar no futuro!
E isto serve, na minha opinião, não apenas para os lúdicos, mas também para os profissionais, para os artesanais, para as lojas de artigos de pesca e até para os importadores. A minha ideia é simples se houver mais peixe para toda a gente, tudo funcionará pela simples lógica da procura, ou seja, se há mais peixe vamos mais à pesca, se vamos mais à pesca vamos comprar mais materiais, se compramos mais materiais as lojas vendem, se as lojas vendem os importadores também vendem. Ao mesmo tempo, se houver mais peixe também parece-me que haverá também mais possibilidades para a pesca profissional e artesanal, quer em termos de pesca directa quer mesmo em termos de outras actividades, nomeadamente, algumas relacionadas com a pesca desportiva.

À partida esta poderá parecer uma ideia meramente mercantilista da pesca do robalo, mas para mim faz cada vez mais sentido pescar hoje menos para poder continuar a pescar com sustentabilidade no futuro. Se todos nos preocuparmos um pouco mais hoje iremos certamente garantir o futuro de uma espécie.

As medidas legais do robalo
Actualmente a lei portuguesa impõe como medida mínima para a captura de robalos, os 36 cm e para as bailas, os 20 cm. Estas são medidas que, alegadamente poderão contribuir para que os robalos e as bailas tenham, pelo menos, a possibilidade de fazer uma postura antes de serem capturados e dessa forma se garantir a sua continuidade. Em França, por exemplo a medida mínima para o robalo são os 42 cm porque se chegou à conclusão que se estaria a defender melhor a espécie, nomeadamente, porque não existem verdadeiras certezas quanto à idade que um robalo deve ter para atingir a maturidade sexual, pois isso depende de factores muito variados relacionados com a zona onde esses robalos vão crescer. È comum os robalos mediterrânicos crescerem mais rápido que os robalos das águas mais frias do Atlântico.

Em Portugal não existem estudos científicos que nos permitam ter alguma certeza em termos das taxas de crescimento e reprodução dos robalos, nem da sua distribuição nem mesmo dos stocks que actualmente existem. Esses estudos seriam fundamentais para se poder estabelecer, com alguma certeza, se são ou não necessários os tão temidos, por uns, períodos de defeso ou as zonas de protecção dos juvenis e posturas. Era fundamental para todos, antes de sair qualquer tipo de legislação, meramente restritiva, existirem essas bases científicas que permitissem realmente defender o robalo em Portugal. Mais uma vez o interesse seria comum a todos aqueles que pescam esta magnífica espécie.

O exemplo da Irlanda é espectacular neste domínio. A pesca desportiva, tal como a profissional, é defendida, sendo a pesca do robalo considerada com uma pesca nobre e mais importante mais valia em termos turísticos para o país. Aqui, o robalo é protegido legalmente há mais de 10 anos sendo que actualmente apenas é permitido, a cada pescador levar para casa, o limite de dois robalos por um período de 24 h, existe um tamanho mínimo de 40 cm, um período de defeso entre 15 de Maio e 15 de Junho em que está interdita a pesca do robalo e a total proibição de venda ou oferta para venda dos robalos capturados. Mais importante do que todas estas regras existe uma verdadeira preocupação com a defesa do Robalo e das outras espécies que é partilhada por todos pois a pesca é considerada uma herança histórica e um bem comum. O Central Fisheries Board, organismo que coordena tudo isto, aposta na pedagogia e na formação, aquilo que me parece que falta mais em Portugal.

Esta é a primeira parte de um artigo publicado na edição de Novembro de 2009 do Mundo da Pesca

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Fazer saltar o peixinho.

Skip Cast

Quem nunca fez saltar o peixinho?! Se não se lembra talvez seja porque no lugar onde vive podem chamar-lhe outro nome.
Fazer saltar o peixinho é uma brincadeira de crianças que consiste em lançar uma pedra para água e fazê-la pular várias vezes. Todos nós, recordamos com certeza momentos em que fizemos “saltar o peixinho” num rio, no mar ou numa albufeira.

Então vamos lá a uma tradução caseira: Skip Cast - lançamento de fazer saltar o peixinho.
Esta técnica é muito usada por pescadores de achigãs mas, como muitos de nós nos vamos apercebendo, podemos ir recolher aí diversos conhecimentos para usar em várias pescas a outros predadores.

Esta técnica usa-se normalmente com canas de spinning 7 pés e com acção rápida mas também pode ser executada com uma cana de casting, o que no entanto requer mais treino. Por outro lado, quanto menor for o diâmetro da nossa linha mais fácil se torna. As amostras normalmente usadas são os vinis.

Como se executa o Skip Cast? Usa-se um lançamento lateral, em que a amostra faça um ângulo menor quando toca na água (raspando a água), para que esta volte a saltar, fazendo assim o tal efeito de peixinho. Dependendo da velocidade e do ângulo que vamos dar, a quantidade de saltos assim como a distância entre eles varia.

Mas afinal para que é que serve esta técnica? Não serve só para nos lembrar do efeito bonito que tem uma pedra a saltar sobre um espelho de água nem tanto para mostrar as nossas habilidades. Vamos imaginar varias situações onde podemos precisar de a utilizar: queremos colocar uma amostra debaixo de uma copa de uma árvore cuja ramagem quase toca na água e precisamos que esta fique mesmo bem lá dentro; temos uma plataforma assente em pilares e necessitamos colocar a amostra lá de baixo. O que vamos fazer? Vamos lançar a amostra de forma a que o embate seja antes da nossa estrutura e garantindo que ela vá saltando até ao local pretendido. Pode ao início parecer difícil mas com o treino vamos até achar divertida esta técnica e muito útil.

O Skip Cast não tem a única exclusividade de colocarmos as nossas amostras debaixo de estruturas que ficam por cima da superfície. Uma outra função que não podemos esquecer é que a nossa amostra a saltar por cima da água vai lembrar um pequeno peixe a saltar.